O Endividamento dos Brasileiros Bateu Novo Recorde

O Endividamento dos Brasileiros Bateu Novo Recorde

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  • 24 de fevereiro de 2026
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2025 Fechou no Vermelho para milhares de brasileiros 

Se a sua sensação ao abrir o extrato do cartão de crédito ou ao pensar nas contas do mês tem sido de aperto, você não está sozinho. Os números oficiais confirmam o que muitos sentiram na pele: o brasileiro terminou 2025 mais endividado do que no ano anterior, e com mais dificuldades para honrar seus compromissos.

Um levantamento recente da Confederação Nacional do Comércio (CNC) traz um retrato preocupante das finanças das famílias. Em dezembro de 2025, nada menos que 78,9% das famílias brasileiras estavam com alguma dívida no orçamento. Isso significa um aumento considerável em relação a 2024, quando esse percentual já era alto, de 76,7%. Em outras palavras, a corda esticou um pouco mais para a maioria da população.

O Perfil do Endividado

Vale destacar que esse aumento do endividamento não atingiu a todos da mesma forma. Dados complementares indicam que as famílias das classes C e D e os jovens adultos (até 30 anos) foram os que mais viram suas dívidas crescerem em 2025, pressionados pelo custo de vida e pelo fácil acesso ao crédito rotativo.

Causas Por Trás dos Números (Além dos Juros Altos)

Especialistas apontam um mix de fatores para o recorde: por um lado, uma oferta recorde de crédito no mercado; por outro, uma renda que ainda não se recuperou totalmente para parte da população, tornando o uso do cartão uma ‘ponte’ para manter o padrão de consumo.

Endividamento
Foto de Inzmam Khan

Cartão de Crédito: O Campeão de Individamento

Não é surpresa identificar o principal vilão dessa história. O cartão de crédito lidera com folga a lista de dívidas, presente na vida de 85,1% das famílias endividadas. Ele funciona como uma linha de frente do consumo, mas também como a principal armadilha quando o uso não é planejado.

Em segundo e terceiro lugares aparecem os carnês (16,2%) e o crédito pessoal (12,1%). Essas modalidades, muitas vezes com juros elevados, mostram que, além do consumo do dia a dia, muitas pessoas precisaram recorrer a empréstimos para recompor a renda ou cobrir gastos maiores.

O Custo Escondido: Os Juros do Cartão e do Rotativo

O perigo do cartão de crédito vai além da facilidade de uso. Quando a fatura não é paga integralmente, o consumidor cai no rotativo, que cobra juros médios anuais astronômicos, acima de 400% ao ano. Isso transforma uma dívida pequena em uma bola de neve incontrolável em poucos meses.

A Inadimplência Acompanha o Ritmo

O cenário fica ainda mais crítico quando olhamos para quem não conseguiu pagar as dívidas em dia. A taxa de inadimplência – famílias com contas atrasadas – subiu para 29,4% em dezembro de 2025. É como se, em um grupo de dez famílias endividadas, três estivessem lutando para colocar as contas em dia.

Esse é um sinal de alerta vermelho, pois indica que a situação não é apenas de mais dívidas, mas de uma capacidade de pagamento em declínio para uma parcela significativa da população. O desequilíbrio entre receita e despesa está batendo à porta.

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Imagem de Rilson S. Avelar.

Um Contraponto: A Visão dos Especialistas

Apesar do quadro desafiador, alguns economistas apontam para uma luz no fim do túnel. O presidente do Sistema CNC, José Roberto Tadros, reconhece os avanços da economia em áreas como inflação e emprego, mas alerta que a instabilidade global ainda é um risco.

Já o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, conecta diretamente a esperança de melhora à taxa de juros (Selic). Para ele, a capacidade das pessoas de saírem do sufoco e quitarem suas dívidas depende de um cenário de juros mais baixos. A expectativa é que o Banco Central (BC) promova um alívio gradual nos juros ainda no primeiro semestre de 2026, tornando o crédito menos caro e a renegociação de dívidas mais viável.

A própria CNC projeta que o primeiro trimestre de 2026 pode tracer uma trégua, com uma leve redução tanto no endividamento quanto na inadimplência.

Primeiros Socorros Financeiros

“Identificou-se com essa situação? Veja 3 passos para começar a virar o jogo em 2026:

1) Mapeie TUDO: Liste todas as suas dívidas, do menor ao maior valor, com as taxas de juros de cada uma. Só assim você terá um diagnóstico real.

2) Negocie SEM MEDO: Priorize quitar ou renegociar as dívidas com os juros mais altos (cartão rotativo, crédito pessoal). Ligue para o banco e pergunte por opções de parcelamento com taxas menores.

3) Corte para Crescer: Analise seus gastos por 3 meses. Há assinaturas esquecidas, lazer que pode ser ajustado? A ‘sobra’ encontrada deve ser direcionada para abater as dívidas.”

E Agora? O Que Fazer Diante Desses Números?

Os dados são um termômetro importante da economia real, aquela que acontece dentro da nossa casa. E eles nos levam a refletir:

  1. Planejamento é Inegociável: Em um ambiente de juros altos, deixar o cartão de crédito virar uma dívida rotativa é um dos caminhos mais rápidos para o descontrole financeiro. A regra de ouro é: use o crédito como ferramenta, não como extensão da renda.

  2. Renegociar é Preciso: Se as dívidas já estão atrasadas, a pior atitude é ignorá-las. Procurar os bancos e instituições para tentar renegociar é o primeiro passo para sair da inadimplência. Muitas vezes, é possível conseguir condições melhores do que as dos juros rotativos.

  3. Fique de Olho na Selic: A taxa básica de juros direciona o custo de todo o crédito na economia. Um ciclo de queda, como o esperado, pode ser a janela de oportunidade para quitar dívidas caras ou refinanciá-las.

Começar o ano mais endividado é uma realidade para quase 8 em cada 10 famílias brasileiras. A conscientização sobre o uso do crédito, a busca por educação financeira e a atenção aos rumos da economia são ferramentas poderosas para que, em 2026, esse cenário comece a mudar. A bola está, em grande parte, no campo do BC com os juros, mas também no nosso campo, com nossas escolhas diárias de consumo e gestão do orçamento.

Um Dado de Esperança

Há, contudo, um movimento positivo: a procura por cursos e conteúdos de educação financeira online disparou mais de 50% em 2025, mostrando que o brasileiro está buscando, por conta própria, as ferramentas para escapar da armadilha das dívidas.

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